Exploração de animais para o lazer de turistas

Já pensou em dar uma volta com um leão, nadar com golfinhos ou fazer um passeio em cima de um elefante? Muitas pessoas nutrem esse desejo e fazem questão de adicionar esse tipo de atividade no roteiro de viagem. Embora a intenção possa ser das melhores, existe um grande agravante nesse tipo atração turística: a exploração de animais.

Para que sejam utilizados para o lazer dos turistas, os animais selvagens são retirados de seu habitat natural e submetidos a técnicas de domesticação que  os afetam física e psicologicamente. A exploração de animais para entreter os turistas é, inclusive, compreendida como um traço cultural de determinados países. Um exemplo é a Tailândia, onde mais da metade dos elefantes do país encontram-se vivendo em cativeiros para serem utilizados em passeios turísticos.

Existe alguma justificativa para isso?

Há quem defenda o uso de animais para o entretenimento de humanos. A justificativa é a importância de aproximar o homem do mundo animal a fim de gerar uma conscientização sobre a importância da preservação da fauna. Embora essa ideia tenha validade, o turismo animal é uma prática injustificável quando a qualidade de vida e a saúde dos animais são colocadas em risco.

A exposição de animais ao estresse, cárcere e maus tratos é, infelizmente, uma realidade de diversos zoológicos, aquários e demais atividades turísticas. De acordo com uma pesquisa da ONG World Animal Protection em parceria com a Unidade de Conservação da Vida Silvestre da Universidade de Oxford, mais de meio milhão de animais sofrem algum tipo de abuso no mundo todo em nome do lazer de turistas.

Passeio Elefante

Segundo dados divulgados pela World Animal Protection, aproximadamente 16 mil elefantes asiáticos estão confinados em cativeiros ao redor do mundo. Alguns dos países que os utilizam para oferecer passeios aos turistas são a África do Sul, a Botswana, a Argentina, o Zimbábue e várias nações asiáticas.

O relatório o Show Não Pode Continuar, publicado pela ONG World Animal Protection, alerta que esses elefantes não se desenvolveram para carregar peso sobre os seus dorsos. Além disso, o documento afirma que tais animais passam por “métodos brutais de adestramento, fazendo com que eles sejam submetidos a sufocar o seus instintos mais básicos”. Ao serem explorados pela indústria do turismo, os elefantes desenvolvem problemas físicos e psicológicos, chegando a ter transtornos de estresse pós-traumático.

Passeio com Leões

O mesmo relatório chama ainda a atenção para os leões. Na África do Sul, existem mais de 160 empresas que promovem safáris de caça aos leões. Além disso, no país existe uma verdadeira indústria desses felinos. É um negócio muito lucrativo que envolve, por exemplo, a comercialização de leões filhotes e adultos para colecionadores de animais exóticos ou zoológicos.

Quem viaja para países africanos – como o Zimbábue, a Zâmbia, a África do Sul e as Ilhas Maurício – costuma se deparar com agências e guias oferecendo passeios com leões ou a chance de tirar fotos segurando filhotes. Segundo a World Animal Protection, esses estabelecimentos estão sempre recebendo novos leõezinhos. Geralmente, eles são criados em cativeiro e retirados da mãe logo cedo, o que geralmente causa uma reação traumática para a leoa e para o filhote. O relatório lançado pela ONG afirma que “as leoas parem uma ninhada a cada dois ou três anos; entretanto, aquelas forçadas a procriarem para a indústria do entretenimento chegam a ter duas ou três ninhadas por ano.”

Macacos dançarinos

Outra observação feita pelo Show Não Pode Continuar sobre a exploração de animais é em relação aos macacos. Na Indonésia, “estima-se que em torno de três mil macacos são anualmente arrancados dos braços de suas mães após estas serem abatidas por caçadores”. Isso os traumatiza, pois na natureza eles costumam permanecer com as mães até completarem 11 meses de vida.

Parte desses macacos retirados das mães é vendida ao turismo animal. Após a comercializados, eles são adestrados por meio de métodos brutais que os forçam a desempenhar atividades que não são naturais a eles. É possível, por exemplo, andar pelos centros das grandes cidades asiáticas e encontrar apresentações de macacos dançando, andando de bicicleta, “tocando” instrumentos ou fazendo outras graças para chamar a atenção de turistas.

Como ajudar a combater o turismo animal?

Uma das principais maneiras de ajudar a combater o turismo animal é não financiá-lo. Não participe de passeios que envolvam a exploração de animais e nem mesmo tire foto com bichinhos que não estejam em ambientes fiéis ao seu habitat natural. Caso você queira muito ter uma experiência próxima com animais selvagens, procure reservas ambientais que operem em conformidade com leis ambientais e, de fato, respeitem e preservem os animais.

A World Animal Protection lançou uma cartilha para orientar as pessoas a se tornarem um turista amigo dos animais. Uma das recomendações é verificar se o local que você pretende visitar oferece interação com animais. Caso a resposta seja positiva, a dica é pesquisar como eles são tratados, a procedência deles e observar se a empresa tem uma política de bem-estar animal.

Outra sugestão valiosa presente nesse documento é em relação a denúncias. Caso você esteja viajando e se depare com animais sendo explorados ou tratados de forma inadequada, registre a situação com fotos e vídeo e envie à autoridade local competente. O principal é não tomar nenhuma atitude sozinho, já que isso pode gerar riscos para você e para o animal.

Qual é a sua opinião sobre a exploração de animais para o lazer de turistas? Conte para gente aqui nos comentários.

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